A tradição musical de toda a Igreja é um tesouro de inestimável valor, que se sobressai entre todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene. (SC 112)

CANTO DO OFERTÓRIO

Este momento não é uma “pausa para o descanso”, mas o rito em que a Igreja prepara a mesa do Senhor. Segundo a IGMR (nn. 73-76), o canto acompanha a procissão dos dons (pão e vinho) e outros donativos para os pobres, simbolizando que a oferta da Igreja e as orações dos fiéis sobem a Deus.

Regras de Ouro: O canto começa assim que se inicia a preparação do altar ou a procissão dos dons. Ele deve se prolongar pelo menos até que os dons sejam colocados sobre o altar. As normas de escolha são as mesmas do Canto de Entrada: o texto deve ser condizente com a ação sagrada e o tempo litúrgico, preferencialmente aprovado pela CNBB. Mesmo que não haja procissão solene das ofertas, o canto pode e deve ser realizado.


Dicas Práticas para o Músico:

1 – Atenção aos Gestos: O músico deve observar o altar. Se houver incensação das oferendas, do padre e do povo, o canto deve ser mais longo. Se o padre estiver apenas depositando os dons de forma simples, o canto deve ser mais breve.

2 – O Volume da Oração: Se não houver canto, o padre reza as fórmulas de bendição em voz alta. Se houver música, o padre reza em silêncio. Portanto, o volume dos instrumentos e vozes deve permitir que o rito ocorra com dignidade, sem “abafar” visualmente o que acontece no altar.

3 – Liberdade Temática e Fidelidade ao Dia: Diferente do que se pensa popularmente, o Canto de Oferendas não precisa falar obrigatoriamente de pão, vinho ou partilha. Como a IGMR aplica a ele as mesmas regras do Canto de Entrada, o critério principal é que o texto seja condizente com a índole do dia ou do tempo litúrgico. O ideal é que o canto ajude a prolongar a meditação sobre o mistério celebrado na Missa, podendo inclusive ser uma antífona bíblica (Salmo) que não mencione diretamente as espécies eucarísticas.

4 – Finalização Suave: O ideal é que o canto termine logo após o rito do Lavabo (quando o sacerdote lava as mãos), preparando a assembleia para o diálogo do “Orai, irmãos e irmãs”.